Morar juntos nos faz entender o verdadeiro significado do que é sermos profundamente diferentes. Homem, mulher, europeia, sul-americano, suíça, brasileiro. Eu e minha esposa somos diferentes em inúmeros aspectos e morar juntos, estando casados, ajuda muito a nos aceitarmos com serenidade.
Morar juntos: uma escolha moral ou estratégica?
Não vou ser hipócrita e dizer que decidi morar com a Flavia, somente após o casamento “formal”, por simples escolha pessoal. Vindos de famílias católicas, se tivéssemos optado pela convivência pré-matrimonial, acabaríamos gerando uma série de conflitos com os nossos pais.
Contudo, nesse período inicial de vida de casado temos descoberto que mesmo uma decisão baseada inicialmente em aspectos morais pode, muitas vezes, trazer benefícios “estratégicos”.
A segurança afetiva e a confiança recíproca
Em um mundo em que as relações estão cada vez mais fragmentadas (líquidas, como diria Zygmunt Bauman) é muito difícil conquistar uma segurança interior quando se vive uma relação amorosa. A queda de tabus comportamentais e a “Ditadura do Carpe Diem” parece nos obrigar a experimentar um pouco de tudo e de todos para que, no final, nossa escolha definitiva seja baseada em uma vasta gama de experimentações.

Já a vida à dois, vivida de maneira exclusiva e estável, talvez tenha menos “extremos sentimentais”, mas promove uma serenidade interior fantástica. A estabilidade da vida de casal ajuda a descobrir nossa capacidade de amar, perdoar, recomeçar e entender, profundamente, o potencial infinito que existe no Amor. Claro que, também neste caso, é necessário entender que a Dor é uma característica importante, que precisa ser acolhida como uma possibilidade de crescimento da vida à dois, e não um impedimento.
Porque morar juntos só depois de casar?
É difícil explicar racionalmente o que levou concretamente eu e a minha esposa a esperar o casamento para viver sob o mesmo teto. Na verdade, o que quero enfatizar aqui são as descobertas estratégicas relacionadas à essa decisão.

Morar juntos, sem um compromisso formal de “exclusividade” dificulta a construção de uma base segura de confiança, respeito e, sobretudo, fidelidade. Claro que existem pessoas que, mesmo não oficializando a união, vivem como se fossem “casadas”. E outras que não conviveram antes do casamento e que, quando se casaram, acabaram se separando. Nem tudo é branco ou preto.
Porém, no nosso caso, o período pré casamento foi importante para desenvolvermos aspectos mais interiores da nossa relação, como a confiança ligada não a união física, mas a escolha interior profunda de viver com o outro, “na alegria e na tristeza” e para sempre. Estando agora casados, entendemos que aquelas escolhas nos ajudam, agora, a descobrir que o Amor “pra toda vida” é muito mais ligado ao cultivo da confiança recíproca, do que da atração física. Sem a segurança interior e a confiança no amor incondicional pelo outro e do amor do outro por nós é impossível viver estavelmente com outra pessoa. Uma hora ou outra, as diferenças vêm à tona. Nesse momento, uma boa estratégia pesa muito.

