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Provocação 15 – O velhinho barbudo e o Natal

Provocação 15 – Valter Hugo Munizprovocacao-15Para download: http://www.4shared.com/file/96354276/49d52171/Provocao_15.html

O jogo do teste sua força

testeO menino do vilarejo sempre quis alcançar o limite máximo do “martelo atômico”, que testava a força de quem se propunha a martelar a base do brinquedo.
Desde pequeno ele pagava uma ficha no parque para martelar e ver as luzes se acendendo até chegar lá em cima. Porém nunca chegou ao topo, pois nunca havia golpeado o brinquedo com a força necessária.

Essa imagem me veio à cabeça no momento em que entendi a relação do prazer com ou sem amor e a implicância disso na nossa vida afetiva.

Sempre me recriminei por não saber diferenciar o que é natural (e saudável) daquilo que pode ser prejudicial em qualquer tipo de relacionamento. Assim, a busca do equilíbrio é de certa forma árdua, principalmente se existe o propósito de seguir o caminho da Felicidade (cristã) de maneira o mais coerente possível.

Assim, em um desses muitos pensamentos, entendi o porquê da importância de não estimular o prazer, antes que não exista amor suficiente para que ele seja sustentado. É como se não houvesse “aquela força” necessária para golpear o brinquedo do parque, a fim de alcançar o topo.

Sem o amor, as luzes se ascendem, se sente alegria, prazer, mas não de forma plena, pois sempre falta alguma coisa, difícil de explicar. O amor sustenta o prazer como um farol diante de um débil foco de luz em meio ao solitário oceano noturno.

Dessa forma os limites naturais de cada relação não devem ser ultrapassados, mesmo tendo de ser cultivados, para manter relacionamentos saudáveis. É preciso antes treinar bastante, fazer musculação, para depois ter força para chegar ao topo do brinquedo.

Dessa forma o diálogo, o companheirismo, tão difícil e ao mesmo tempo, tão mascarado na grande maioria das relações, precisa ser constantemente trabalhado para fortificar ao ponto de, quando se estiver preparado, alcançar o ápice do “jogo”.

É uma conclusão simplória, mas bem clara. Ajudou-me a perceber o porquê de muitas vezes não sentir a tal felicidade almejada. Estava golpeando o brinquedo sem ter a força necessária para alcançar o topo. Estava gastando as fichas à toa.

Majestosa fábula do jardim de flores

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Desde criança o menino Ago não sabia a importância das flores que cresciam no jardim que se postava lá no alto da montanha, de fácil acesso para os moradores da vila. Vivia pisando em todas elas. Não via nada de divino, afinal “eram somente flores”, dizia o garoto toda vez que alguém o repreendia.

Porém um certo dia, Ago avistou uma margarida. Estava sozinha, misturada em meio as mais variadas flores, mas logo lhe chamou a atenção. Resolveu então colhê-la, mas esquecera-se que em dois meses, viajaria para longe, sem poder cuidar da bonita flor.

Assim, o tempo passou e a flor foi aos poucos morrendo, até perder a última pétala e ser enterrada junto à matéria orgânica que permeava o jardim.

Durante a sua viagem, Ago acabou se apaixonando por outra flor. Era uma orquídea, rara e tão bela que o garoto não queria nunca mais se afastar dela. Cultivou-a durante muito tempo, regava todos os dias e se deliciava com a sua beleza, mas logo ele voltou para a sua vila e a flor teve que ficar, pois não se adaptaria ao clima onde ele morava.

Alguns meses passaram depois da sua volta e ele finalmente reencontrou o girassol. Lembrava que havia passado grande parte da infância cuidando de um lindo girassol que estava plantado bem próximo da sua casa e ficara sabendo que ele tinha sido preservado ali e sobrevivido ao passar dos anos.

Ago passou alguns meses cuidando daquele girassol. Porém já não era mais a mesma coisa, principalmente porque não conseguia mais acordar todos os dias cedo para regá-lo, já não acompanhava o ciclo de vida da flor, até que ela morreu.

A perda do girassol fez o garoto sentir um grande vazio… o que faria de agora em diante sem a flor que gostava tanto?

Novamente o tempo serviu para que ele descobrisse a mais linda flor que jamais havia encontrado no jardim. Não era frágil como a margarida, nem rara como a orquídea, ou conhecida como o girassol. Tinha uma beleza singular, tinha um aroma novo, uma vivacidade desconfortante.

Quando correu para pegar a mais linda rosa do jardim, furou-se em um dos seus muitos espinhos e ali percebera que teria de ter alguns cuidados especiais se quisesse ficar com a flor.

Porém, Ago, não teve medo. Colheu a rosa para se tornar o jardineiro mais feliz do vilarejo e daí em diante, percebeu que não precisaria se preocupar com o seu triste passado com as flores, mas gozar de uma felicidade profundamente renovada, pela presença maravilhosa da mais linda rosa.

A desculpa que faltava aos empresários

appleJosé nasceu empresário. Daqueles com a clássica história do “nasceu pobre e conquistou cada centavo”. Porém, como bem se sabe, no Brasil, conquistar um alto patamar financeiro, tantas vezes pressupõe, além do enorme sacrifício individual, sonegação de impostos e exploração trabalhista.

Difícil mesmo acreditar que toda a fortuna de José foi conquistada com esforço cristão, procurando seguir cada mandamento que a doutrina estipula, mas como não há provas e nem confissão, ninguém pode julgar.

Nesses tempos de crise, muita empresa já quebrou por vaidade, por presunção, irracionalidade ou mesmo burrice em achar que essa lógica autofágica do capitalismo iria sobreviver por muito tempo.

No caso da empresa de José foi a mesma coisa. Passou grande parte do tempo sonegando impostos e negando direitos trabalhistas aos funcionários em prol do lucro agressivo.

mac1Porém a sustentabilidade da empresa já havia chegado ao limite, já havia cortado todo tipo de custo, mas faltava diminuir o número de funcionários.

Pensou, pensou, mas não encontrava justificativa para sua atitude. Já havia na empresa um número escandaloso de funcionários que incorporaram funções de dois ou até três cargos. Precisava de uma grande oportunidade.

Para a felicidade de José e outros milhares de empresários, no primeiro dia de agosto de 2007, as perdas de crédito do setor imobiliário se alastraram no país dos irmãos ricos do norte.

Assim, a crise tem sido a melhor desculpa para justificar o corte da mão de obra, sem direito a repúdios trabalhistas.

E aí? É só isso?

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Existem sim coisas imprevisíveis, mas quase tudo na vida é fruto de uma “previsibilidade” quase monótona e meus dias não fogem muito dessa lógica, nem que eu perca horas procurando maneiras de fazer tudo “diferente”.

Mas, claro, nem sempre tenho sensibilidade suficiente para entender que esse “novo”, que tanto insisto em esperar, talvez não virá da maneira que me agrada. Que as novidades da minha vida são mais internas que externas.

Não é preciso ser filósofo, teólogo, psicólogo e todos os “ólogos” que a ciência humana produziu para se dar conta disso. Mais cedo ou mais tarde todo mundo vai chegar a essa conclusão. O que vai ser “novo” é a maneira que cada um irá procurar responder a pergunta:

E aí? É só isso?

Tem gente que sonha em casar, outros serem ricos e famosos, outros ainda bons profissionais e tudo que direciona esses objetivos ganha o ditado: “plantar pra depois colher”. Porém, parece que no final é sempre aquela tal pergunta:

E aí? É só isso?

Ah!!! E se você quiser resposta eu arrisco dar….
SIM! É só isso… mas o que você estava esperando?

Boa pergunta… o que a gente espera?
O que a gente quer da nossa vida?

E, por favor, não me venha com resposta pronta tipo: “Eu quero ser feliz!”, porque senão eu vou perguntar: Mas o que é ser feliz pra você?

O tempo vai passando e vou quase chegando aos meus ¼ de século, mas toda vez que penso no que estou fazendo aqui, me dou conta de que a vida é justamente saber lidar com o óbvio, com os paradoxos, ou ir pro analista por conta de uma “braba” depressão.

Pois é… é desse caminho “óbvio” que a gente procura respostas cotidianas do tipo “putz, foi bom… valeu a pena… poderia morrer hoje, que me sentiria realizado”…

Quantas vezes a gente responde a tal pergunta “Você é feliz”, tentando pensar ao menos 10 segundos?

Pois é… de novo… o óbvio… morrer, amar a amada, penar para amar o pessoal de casa… tem coisa mais obvia pra mim que isso?

Mas… se paro de tentar dinamizar o que óbvio, de lutar para dar sentido a cada coisa e ser feliz, esqueço do que é felicidade. Não a que vemos nos filmes românticos, aquela que nos deixam em paz, plenos.

Duvido que você não concorda comigo!

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