Month: March 2013 Page 2 of 3

Abujamra entrevista Ana Maria Haddad no “Provocações”

anna haddad

Desde 2003 eu procuro acompanhar, sempre que posso, as entrevistas do fantástico Antônio Abujamra. Surpreendo-me toda vez com seu ar debochado, perguntas indiscretas que, porém, nunca perdem o respeito ou denigrem a imagem do entrevistado.

Abujamra não é superficial, bonachão, polêmico como um Jô Soares, uma Maria Gabriela e, mesmo se esses não são entrevistadores medíocres, são bem inferiores ao apresentador do “Provocações” da TV Cultura.

No programa 605, que eu assisti ontem, gravado no dia 5 de março, a entrevistada foi a, professora universitária, Ana Maria Haddad Baptista, que falou sobre o perfil do estudante universitário brasileiro.

Em alguns momentos eu realmente tive dúvida se ela entendeu a dinâmica do programa, o significado das perguntas, mas a “palidez” da entrevistada foi colorida pelas intervenções do entrevistador. Como poucas vezes eu pude ver, Abujamra parecia mostrar “ele mesmo”, suas opiniões e a revolta diante de um país que esputa nos seus jovens, uma educação superficial, tecnicista, incapaz de produzir estupor diante do saber.

O discurso de Ana Haddad é fraco… pouco provocador, morno como é uma “grande parte” – para usar um termo constantemente repetido por ela na entrevista – dos intelectuais brasileiros, incapazes de partilhar seu conhecimento com a vivacidade e dinâmica dos instrumentos tecnológicos.

Como sempre, vale a pena conferir! Neste caso, mais pelo entrevistador, que pelo entrevistado.

Bloco1:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=4YXRAQqcyrg]

Bloco2:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=w5KMiDc1vKw]

Bloco 3:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Ey8NJOEZICY]

Redescobrindo “o outro” da comunicação

Dominique-Wolton

Quando procurava um cientista da comunicação atual, capaz de sintetizar o momento histórico em que vivemos e sugerir “como” a comunicação de massa pode auxiliar no desenvolvimento da nossa sociedade, fui presenteado com as teorias de Dominique Wolton.

Pensador francês – nascido, porém, em Duala, nos Camarões -,  pai da Hermès, uma das revistas de comunicação mais importantes da atualidade, Wolton é também diretor de pesquisa no Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS).

Preocupado em analisar interdisciplinarmente a comunicação de massas, Dominique Wolton está à vanguarda do pensamento comunicacional e é um autor indispensável para estudantes e pesquisadores.

Recentemente, eu me debrucei na sua obra É preciso salvar a comunicação em que o autor resume as sua principais ideias e dá, de maneira perspicaz,  importantes chaves de leitura para que possamos entender melhor o fenômeno da comunicação de massas.

Em um contexto em que, “em menos de cem anos, foram inventados e democratizados, o telefone, o rádio a imprensa de grande público, o cinema, a televisão, o computador, as redes, transformando definitivamente as condições de troca e de relação, reduzindo as distancias e realizando a tão deseja aldeia global”, vivemos em um mundo em que “todo mundo, ou quase, vê tudo, sabe tudo sobre o mundo”.

Contudo, afirma Wolton, “pensamos de boa fé que tais mudanças trariam enfim um pouco mais de paz entre os povos, mas, infelizmente, não é porque o estranho, o outro, se tornou mais visível que a comunicação e a compreensão mútuas melhoraram”. “A aldeia global é mesmo uma realidade, mas não reduz as desigualdades, nem as tiranias, nem as violências, nem as mentiras”.

Diante dessa realidade, emerge um grande desafio: “como conciliar a realidade técnica e econômica da comunicação com sua dimensão social, cultura e politica?”. Salvar a comunicação é, para Wolton, “preservar sua dimensão humanista”.

A comunicação de massas evoluiu a partir do “desejo de ampliar incessantemente o horizonte do mundo e das relações”.  Contudo, ela nasce do ser humano onde, “não há comunicação sem o respeito ao outro, e nada é mais difícil do que reconhecer o outro como seu igual, sobretudo se não nos compreendemos”.

Nessa seção do escrevo Logo existo, vamos conhecer e aprofundar o pensamento de Wolton e descobrir que a comunicação nasce de uma tripla relação: com si mesmo, o outro e o mistério.

Casos que destroem o que é a Família

familia

Ainda não me conformo com esses casos de família horrendos, em que os esposos se agridem ou até se matam. Pais que matam filhos, filhos que matam pais, namorados que se matam. Sinais escandalosos de que a principal célula da sociedade está no culmine da degradação.

Os casos Nardoni, Richthofen e, atualmente, Mizael e o do goleiro Bruno ganharam destaque na imprensa, mas, infelizmente, o que não é levantada, na maioria das vezes, é a dimensão social deles.

A mídia brasileira é (propositalmente?) superficial e não estimula a pensar o mal profundo que se esconde por trás desses acontecimentos. As consequências da desintegração da Família fragmentam alguns valores fundamentais para a vida em sociedade.

No Velho Continente, mais por conta do consumismo e do individualismo, que da violência, a perda de valores promovidos pela Família colocou a Europa em uma crise sem precedentes e aqui no Brasil, sem vergonha, estamos rumando para o mesmo triste caminho.

É um absurdo aceitar passivamente a destruição da Família. Concebê-la sem pai nem mãe, sem calor humano, respeito, dignidade, sacrifício, renúncias. Se nós queremos preservá-la, nenhuma dessas dimensões pode ser ignorada.

Impressiona que muitos jovens que cresceram em famílias tradicionais, hoje defendam uma família desfigurada. Se eles se consideram felizes, realizados, muito, certamente, é por conta do modelo “tradicionalista” que, acima de tudo, considera fundamental ter pai e mãe (paternidade e maternidade) em casa, mesmo que imperfeitos.

O que se vê hoje são relacionamentos individualistas, narcisistas, regados de interesses egoístas, doentes, ao ponto de fazer pagar com a vida quem, livremente, não aceitar as imposições de uma das partes.

Abolir a família “tradicional” não é um mal relativo, mas evidente e grave. É ela que preserva os valores que constroem a sociedade. Claro que este “modelo” não está acima das pessoas, intrinsicamente passíveis de falhas, desvios, porém, isso não justifica a depreciação do seu valor e importância.

O milagre de Francisco

891703_345195992257169_1512990007_o

Hoje de manhã, logo que me levantei, olhando a sacada do apartamento onde vivo, avistei o vaso (excedente) em que estava a flor que eu minha esposa presenteamos os padrinhos no dia do nosso casamento. Logo depois que a flor do vaso morreu, nasceu um pequeno broto, que agora já é uma nova planta.

Observando, rapidamente, aquele pequeno vaso, eu me maravilhei com a dinâmica da vida. Basta uma sementinha, um pouco de água e luz, e tudo renasce, recomeça.

Aqueles segundos de contemplação são difíceis de explicar, mas exprimem a felicidade diante da beleza da relação cooperativa entre a vida e a morte, sentimento que se aproxima bastante da euforia após o Annuntio vobis gaudium Magnum (Anuncio-vos uma grande alegria) de que um novo papa havia sido escolhido.

A escolha de Francisco coloca a Igreja católica em um novo contexto e renova as esperanças de uma mudança necessária na comunidade eclesial.

Enquanto, infelizmente, o mundo laico fala somente em permissão de casamento entre pessoas do mesmo sexo, fim do celibato e o diaconato de mulheres (e no dia de hoje, as dificuldades com o governo argentino e acusações de o antigo cardeal ter violado os direitos humanos, durante a ditadura), o que emergiu, de maneira mais evidente e simbólica, é a “conversão” para um caminho de humildade e simplicidade.

O Clero (ao menos uma boa parte dele), repleto de vaidades, intrigas pelo poder, corrupção e outros tantos problemas, se vê agora “convidado” a retomar sua dimensão original de serviço, pobreza e humildade. O simbolismo da escolha do nome Francisco pelo então cardeal argentino Jorge Bergoglio, remete-se, de maneira bonita, ao seu xará de Assis, que há mais de 800 anos, foi chamado a renovar a igreja dos “poderosos”.

A escolha de um papa “não europeu”, ou melhor, latino-americano, opera uma revolução difícil de mensurar. Em toda a história da Igreja Católica, nunca um representante de outro continente ocupou o posto mais alto da instituição mais antiga do mundo.

O momento histórico, como todos sabem, é difícil. As chagas da pedofilia, a corrupção e intrigas pelo poder, feriram fortemente a imagem da Igreja. Contudo, pelo que se viu ontem, parece que tudo concorre para uma grande mudança.

O contexto é propício, a vontade é grande, só faltava um líder preparado para realizar o renovamento da vida da Igreja, neste “ambiente” em que ela está inserida.

O milagre de Francisco é a sua vida, é ser a semente, pequena, simples, mas perfeitamente pronta para fazer renascer a vida, o amor, que foram propostas por seu fundador, Jesus Cristo.

Ciclista: um bem em extinção nas metrópoles

ciclism

Semana passada uma senhora, no meu trabalho, me perguntou se eu andava de bicicleta na calçada. Horrorizada com a minha afirmação, ela, depois do almoço, deixou um artigo impresso ao lado da minha mesa, mostrando que o tráfego de bicicletas na calçada é proibido.

Justifiquei-me dizendo que evitava ao máximo pedalar próximo aos pedestres, mas que, em algumas vias em que o ciclista é constantemente agredido por outros carros e ônibus – como é o caso da Avenida Paulista – preferiria, para salvaguardar a minha vida, não circular pela rua.

Menos de uma semana após aquela interessante discussão, um jovem ciclista perde o braço na mesma Avenida Paulista e, imediatamente, lembrei da minha colega de trabalho e, com tristeza, concluí que, infelizmente, o meu raciocínio tem sentido.

O fato ocorrido e a atitude “monstruosa” do motorista do carro que, depois de decepar o braço de outro jovem, como ele, jogou seu braço no córrego, evidencia aquele que eu chamo de “bívio problemático”.

Esta tragédia mostra o encontro entre duas realidades constantemente presentes no Brasil: A impunidade e o desrespeito.

Sobre a impunidade não vale a pena perder muito tempo. É fato que ela favorece os cidadãos com o “PIB familiar” acima da média. Seria interessante um levantamento da população carcerária para descobrir quantos presos são originários das classes mais altas. Que a justiça seja um bem social e não mais um mecanismo de discriminação do povo.

Contudo, o que eu acho que precisamos nos ater sempre, e que depende, sobretudo, de nós, é um valor fundamental da vida em sociedade: O RESPEITO. Infelizmente, quem decide punir ou não o cidadão que comete um crime, nem sempre toma a decisão de maneira ética, sincera, justa. Mas, o respeito só depende de nós mesmos.

Se o ciclista fosse respeitado nas ruas da cidade, principalmente por motoristas de ônibus e táxi, não precisaríamos de ciclovias, não existiriam ciclistas trafegando pelas calçadas e a cidade teria menos poluição, trânsito, estresse.

O que sociedade paulistana precisa entender é que o ciclista só faz bem à cidade.  Respeitá-lo incentiva a prática. Quanto mais ciclistas, menos carros, mais saúde.

Por isso, antes de buzinar, fechar, “tirar tinta” de um ciclista na rua, tenha calma, pense no bem que ele está fazendo, que ele poderia ser você indo para o trabalho, seu amigo indo para universidade, seu filho, neto… que, se decidisse ser um “militante das pedaladas”, você teria orgulho.

Page 2 of 3

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén