Ebola: ainda são só os africanos que estão morrendo
Tenho conversado muito com a minha esposa, que está escrevendo um breve artigo sobre a resposta internacional (ou a falta dela), diante do “genocídio” provocado pelo vírus Ebola.
Não quero falar de causas do Ebola, nem do desenvolvimento da doença, pois qualquer artigo de um dos grandes jornais do mundo explica bem a situação, os perigos e principalmente a disseminação da mais aterrorizante epidemia depois da AIDS. O que quero questionar aqui é, acima de tudo, a omissão, o descaso, típico de uma sociedade essencialmente preocupada com o seu “back yard” (os próprios interesses) e não com os problemas alheios.
Ebola? São só africanos que estão morrendo

Hoje de manhã, li uma entrevista interessante sobre a situação atual do oeste africano. Alguns números apontam para uma realidade dura e ausente de perspectivas de melhora. Para dar um exemplo, na Libéria, um dos países com mais vítimas fatais do Ebola, existe um médico para cada 100.000 pessoas.
Se pegarmos o Brasil como exemplo, que é um país que investe muito pouco em Saúde, se comparado aos países do hemisfério norte, segundo o Conselho Federal de Medicina, temos a proporção de 1 médico para 622 habitantes. A diferença é assustadora e explica um pouco da impossibilidade de combater internamente um vírus tão poderoso.
A incapacidade dos países do oeste africano de enfrentar o Ebola é um fato. Por isso, exige, fundamentalmente, uma “força-tarefa” global que, agora, parece ser consenso. Porém, como fazer com que os Estados manifestem uma ajuda solidária, em uma região irrelevante aos interesses políticos mundiais?
OMS e a fragilidade das estruturas

A ONU, na sua estrutura, deveria agir “a priori” em função dos direitos humanos, não somente dos brancos, ocidentais, mas também dos negros do Sul do mundo. As organizações internacionais precisam encontrar uma forma de representar, acima de tudo, os seres humanos mais fragilizados, lutando pela sua dignidade e direitos.
E eu? O que eu faço?
Acho que, acima de tudo, precisamos encontrar tempo para discutir e pensar sobre o assunto. Fazer da dor e da falta de dignidade de outros seres humanos, a nossa dor. Oferecer, rezar (para quem for religioso) e, para aqueles com recursos (humanos ou econômicos), buscar formas concretas de ajudar.
Os Médicos Sem Fronteiras têm feito um trabalho de campo sério e pode ser uma organização onde, quem quiser/puder, depositar algum tipo de ajuda econômica.
O que não podemos fazer é ignorar, banalizar e continuar respondendo de modo desumano aos clamores de um povo sofrido, marginalizado, esquecido pela comunidade internacional.

