Envelhecer: perdas e lamentações, novos encontros e alegrias

O saudosismo e os sofrimentos do envelhecer

Tristeza e dor pelas pessoas queridas que se foram, pelos filhos que seguiram seus rumos, pelo sentir-se inútil, incapaz e dependente. A solidão que emerge de falas como essas me inquietam. Mais do que solidão externa, é a aridez interior que impressiona, um vazio existencial ainda não preenchido.
Tais sentimentos são compreensíveis em uma fase da vida em que realmente o corpo não responde mais como outrora e a mente, em algumas situações, parece estar além da corporeidade. Deseja-se fazer tantas coisas, mas não há força e nem a disposição necessárias. Tudo parece mais difícil. Às vezes a vontade também se esvai e sobra espaço apenas para as lamentações. Pergunto-me como serei quando for velhinha, que sentimentos carregarei ?
O irradiar de uma luz resplandecente

Para a ocasião, os filhos preparam uma grande festa. Celebrar a vida é sempre uma dádiva. A vida de nossas mães então é de uma preciosidade inenarrável. Trabalhamos muito para deixar tudo lindo e digno da festejada. Mas quem realmente fez a festa acontecer e abrilhantar foi ela mesma, D. Suzana, com alegria e vivacidade, força e luz, emocionou a todos.
O salão estava repleto por familiares, netos e bisneto, amigos e, sobretudo, por suas irmãs do coração, as senhoras do grupo da terceira idade. Grupo que despertou nela e em tantas outras pessoas um novo sentido para a vida. Novos encontros e vínculos foram construídos, amizades estabelecidas, alegria restaurada e os olhos que derramaram tantas lágrimas de dor e amarguras pelas dificuldades da vida, hoje se transformaram em lágrimas de emoção, gratidão, alegria e felicidade. Nunca vi uma senhora com tantas amigas! O caminho se faz ao caminhar e como é bom caminhar ao lado de AMIGOS que nos fazem resgatar o sentimento de pertença!
Maturidade. Talvez seja isso. Encontrar a felicidade profunda que faz acolher cada momento da própria história passada, mas que acredita que as melhores lembranças são as de poucos minutos atrás, que já vão dando espaço para as do próximo instante, que é o agora. O presente se renova a cada instante, e é preciso ter olhos para ver, coração para sentir e mente sadia para captar a beleza do “eis que faço novas todas as coisas”.
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