Tenho assistido com impaciência e tristeza a omissão escandalosa das instituições internacionais em relação ao fluxo crescente de imigrantes que procuram desesperadamente abrigo no Velho Continente. O número total de mortos é ignorado pois, infelizmente, algumas vidas valem menos que outras.
Contudo, o que tenho lido nos jornais pelo mundo afora é o que chamo de eloquência sofista. Os discursos são bonitos, as fotos são polêmicas, mas a verdade nunca é relevada. Vale o jogo dialético de quem argumenta melhor pela defesa dos próprios interesses.
Na minha percepção, o que estamos vendo nesse momento histórico é consequência da exploração, da hipocrisia e da falta de humanidade das grandes potências do Norte. Condena-se, por exemplo, o Estado Islâmico, mas não há um debate claro e transparente sobre a venda de armas ou a compra de petróleo que sustentam as ações do grupo extremista. Outro exemplo invisível nas páginas dos jornais é a constante manipulação de empresas e governos do Ocidente que, para usufruir dos recursos naturais alheios, fomentam diariamente conflitos internos nos países africanos, expulsando milhares de cidadãos de suas casas.
Tenho a consciência de que o que eu estou dizendo não é nada de novo. Não tenho essa pretensão. Entretanto, acredito que é hora de não só lamentar o drama humano, mas nos forcarmos em debater as verdadeiras causas desse crime europeu contra a humanidade.

Todos aprendemos nos bancos da escola, existe uma lei natural onde « para toda interação, na forma de força, que um corpo A aplica sobre um corpo B, dele A irá receber uma força de mesma direção, intensidade e sentido oposto. »
Enfim, insisto que o debate não pode estar somente voltado para a acolhida ou o fechamento das fronteiras para quem precisa, mas deve buscar seriamente um consenso e um comprometimento político na busca pelo o equilíbrio real (e legal) entre interesses econômicos e direitos humanos, intervenção ou respeito à soberania nacional, sem jamais esquecer que o ser humano, no Norte ou no Sul, tem um valor incomensurável.