Uma simples conversa significaria uma viagem gratuita e personalizada para a terra natal do novo colega – e ele à sua – desde que ambos abram os espaços para tal. Essas viagens sem sair do lugar, para a Itália, Chile, República Democrática do Congo, Mali, Togo, Serra Leoa, Portugal, Bulgária, entre outros, podem não significar diversão ou momentos de descontração, mas certamente guardam lições de vida e superação.
Políticas públicas para imigrantes

Da minha colega italiana, soube que ela é do Partido Democrático e odeia o Berlusconi; de Serra Leoa e República Democrática do Congo são colegas também de profissão, jornalistas; de Togo (que abriu um sorriso enorme quando citei o nome do jogador de futebol Adebayor, ídolo nacional), soube que ele veio para o Brasil após se converter ao cristianismo e encontrar oposição da família, muçulmana. Enfim, teria uma pequena aula com cada um que eu parasse para conversar.
O desprezo social pelo migrante
Essa consciência a respeito da importância de aprendermos com as diferenças do outro, no entanto, ainda é pouco compreendida pela sociedade – não apenas no Brasil. Pelo contrário, o migrante é visto como “ladrão de empregos”, acusado de “ocupar espaço” nos serviços de saúde e educação, de “não querer se integrar à sociedade onde ele se insere”. No entanto, pouco se fala da contribuição que cada um deles pode trazer para o novo lar.

Os personagens mudaram, mas não a essência da rejeição ao diferente – os “carcamanos”, termo pejorativo usado para se referir aos italianos do começo do século XX, foram trocados pelos “baianos” e agora pelos “bolivianos”. É triste ver que uma cidade, que tem o gene migrante em seu DNA, repudiar justamente um dos elementos que a tornam única. É horrendo ver o local de origem de uma pessoa ser usado como forma de ofensa a ela.
Consciência global para um agir local
Em uma sociedade globalizada, onde tudo acontece em tempo real e as fronteiras ficam cada vez mais imperceptíveis, o diferente está mais próximo de nós do que nunca. É até compreensível o espanto com essa aproximação repentina, mas não se pode jamais repudiar, discriminar ou recriminar.
Mesmo que leve tempo, o melhor a ser feito por cada um de nós é abrir-se para conhecer e aprender com quem é diferente. Não significa – e nem deve significar – abandonar sua cultura e tudo o que já se aprendeu em troca do que chega de novidade, mas sim agregar novas experiências e respeitar as visões de mundo diferentes da nossa. Os ganhos serão certamente maiores do que os supostos efeitos colaterais.
Indico um vídeo muito bonito que conta algumas histórias dos filhos de imigrantes de São Paulo:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=kLP6SwAs8tc]
Mais sobre Virando a Esquina CLIQUE AQUI

