Month: April 2009 Page 3 of 4

Música da unidade

trompete
Existia um músico que alegrava as manhãs dos passantes da pequena cidade do interior.

Fazia chuva ou sol, lá estava ele, a tocar as mais lindas músicas com seu trompete sempre impecável.

Tinha gente que passava e sorria, gente que olhava de cara feia porque não entendia o sabor da música e gente que parava para contemplar aqueles acordes harmônicos.

Um dia, passou de carro um jovem da cidade. Ouvindo a música, parou o automóvel e desceu, já com sua guitarra em mãos para conversar com o trompetista.

Poucas palavras serviram de permissão para começar um fantástico dueto. O suave som do trompete se contrastava com os acordes rasgados da guitarra elétrica, mas juntos, produziam uma das mais belas melodias que aquela pequena cidade havia sentido.

Aquela música foi capaz de reunir tantos os amantes do rock, quanto os desejosos de música clássica e por isso recebeu o nome de música da unidade.

Os anos se passaram e claro, os músicos foram tocar em outras cidades, países, mas sempre quando ouvida novamente, a música da unidade continuava a produzir re-encontros.

Conto em homenagem ao aniversário do irmão Cristian Sebok (07/04)

Dúvida Pascal – Luis Fernando Verísssimo

luis_f_verissimo6845– Papai, o que é Páscoa?
– Ora, Páscoa é… bem… é uma festa religiosa!
– Igual ao Natal?
– É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.
– Ressurreição?
– É, ressurreição. Marta, vem cá!
– Sim?
– Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler o meu jornal.
– Bom meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu?
– Mais ou menos… Mamãe, Jesus era um coelho?
– Que é isso menino? Não me fale uma bobagem dessas! Coelho! Jesus Cristo é o Papai do Céu! Nem parece que esse menino foi batizado! Jorge, esse menino não pode crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensou se ele solta uma besteira dessas na escola? Deus me perdoe! Amanhã mesmo vou matricular esse moleque no catecismo!
– Mamãe, mas o Papai do Céu não é Deus?
– É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Você vai estudar isso no catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.
– O Espírito Santo também é Deus?
– É sim.
– E Minas Gerais?
– Sacrilégio!!!
– É por isso que a Ilha da Trindade fica perto do Espírito Santo?
– Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é o Espírito Santo de Deus. É um negócio meio complicado, nem a mamãe entende direito. Mas se você perguntar no catecismo a professora explica tudinho!
– Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?
– Eu sei lá! É uma tradição. É igual a Papai Noel, só que ao invés de presente ele traz ovinhos.
– Coelho bota ovo?
– Chega! Deixa eu ir fazer o almoço que eu ganho mais!
– Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?
– Era… era melhor, sim… ou então urubu.
– Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, né?
– É.
– Que dia que ele morreu?
– Isso eu sei: na Sexta-feira Santa.
– Que dia e que mês?
– (???) Sabe que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na Sexta-feira Santa e ressuscitou três dias depois, no Sábado de Aleluia.
– Um dia depois!
– Não, três dias depois.
– Então morreu na quarta-feira.
– Não, morreu na Sexta-feira Santa… ou terá sido na Quarta-feira de Cinzas? Ah, garoto, vê se não me confunde! Morreu na sexta mesmo e ressuscitou no sábado, três dias depois! Como? Pergunte à sua professora de catecismo!
– Papai, por que amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua?
– É que hoje é Sábado de Aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.
– O Judas traiu Jesus no sábado?
– Claro que não! Se Jesus morreu na sexta!!!
– Então por que eles não malham o Judas no dia certo?
– Ui…
– Papai, qual era o sobrenome de Jesus?
– Cristo. Jesus Cristo.
– Só?
– Que eu saiba sim, por quê?
– Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido, não acha?
– Ai Coitada!
– Coitada de quem?
– Da sua professora de catecismo!

Provocação 16 – Cesar Augusto Marcon

Provocação 16 – Cesar Augusto Marcon EDITORIAL:

Morei com o César por um ano em um intercâmbio cultural que fizemos na Suíça, pelo Movimento dos Focolare.
Lá descobri um cara genioso, apreciador nato pelas línguas e claro, agora quase um especialista.
Porém, o mais legal do César é o quanto ele é um cara esforçado, dedicado. Do tipo de pessoa que a gente admira porque no final sempre conquista aquilo que deseja.
Convidei-o para escrever sobre a línguagem, por ser um assunto que ele tem afinidade, mas também para que fosse possível outras pessoas conhecerem esse meu irmão maluco.

Grande Abraço,

Escrevam… que eu publico…

provoca16

Para download: http://www.4shared.com/file/97355246/7c331e63/Provocao_16.html

Jesus era um coelho?

jesus_e_o_coelhinho
Felipe sempre foi uma criança expansiva e sua agitação gerava um certo desconforto para seus pais, principalmente em momentos inesperados.

A formação religiosa sempre foi uma exigência familiar, mas os ensinamentos dificilmente sobreviviam ao bombardeamento laico, mesmo a criança estudando em uma escola “de princípios”.

Durante as festas, sobretudo na Páscoa, Felipe se irritava com a quantidade de ritos, principalmente porque não queria participar de celebrações longas, enquanto seus colegas estavam se divertindo por conta do recesso escolar decorrente da ocasião.

Mas, o que mais irritava Felipe era justamente o fato de não entender todo aquele “teatro”. Na quinta-feira todos tinham que ir de chinelo na igreja para que o padre lavasse os pés, na sexta a celebração (porque já tinha sido advertido para não dizer MISSA, pois é o único dia do ano em que não tem esse rito) era de tristeza. Todo mundo quieto, muita gente chorando, porque Jesus tinham morrido as 15h e iam todos beijá-lo.

No sábado, pelo contrário, era dia de festa! Todo mundo feliz, cantando, se abraçando. O Salvador tinha ressuscitado. O que o menino nunca entendia é que diziam que Jesus ressuscitava no terceiro dia, mas se ele morreu na sexta-feira ás 3h da tarde, como festejavam a ressurreição já no sábado, um dia depois da morte? “Esse mundo adulto é estranho!”, pensava o menino.

Felipe já achou que Jesus era um gato, porque sempre ouvira dizer que o gato tem 7 vidas e se o Homem morreu e ressuscitou, só podia ser um felino que perdeu uma de suas vidas.

_ Pai, Jesus era um coelho? – perguntou o garoto, assim que deixaram o supermercado.

_ Claro que não né Felipe! – respondeu o pai.

_ Mas então porque durante esses dias vendem tantos ovos de Páscoa?

Sem conseguir responder, o pai de Felipe desconversou e mal sabia ele que existia sim uma conexão entre a festa com o presente de chocolate.

“Em várias antigas culturas espalhadas no Mediterrâneo, no Leste Europeu e no Oriente, o uso do ovo como presente era algo bastante comum. Em geral, esse tipo de manifestação acontecia quando os fenômenos naturais anunciavam a chegada da primavera, sinônimo de uma nova vida que estava para chegar. (Enquanto nós acabamos de entrar no outono, no hemisfério sul, nesse período, no hemisfério norte, começou a primavera)

Não por acaso, vários desses ovos eram pintados com algumas gravuras que tentavam representar algum tipo de planta ou elemento natural. Contudo, a entrada do ovo, como sinônimo de festejar essa nova vida, se “fundiu” com as festividades cristãs no Concilio de Nicéia, no ano de 325. Neste período, os clérigos tinham a expressa preocupação de ampliar o seu número de fiéis por meio da adaptação de algumas antigas tradições e símbolos religiosos a outros eventos relacionados ao ideário cristão.

Chegando ao auge do período medieval, nobres e reis de condição mais abastada costumavam comemorar a Páscoa presenteando os seus com ovos feitos de ouro e cravejados de pedras preciosas. Até que chegássemos ao famoso (e bem mais acessível!) ovo de chocolate, foi necessário o desenvolvimento da culinária que, somente duzentos anos mais tarde, fabricou os primeiros ovos de chocolate da História. Depois disso, a energia desse calórico extrato retirado da semente do cacau também reforçou o ideal de renovação sistematicamente difundido nessa época.

Claro que tudo isso foi um prato cheio para dar significado às campanhas em prol do consumo. A publicidade tem o poder de se incorporar dos simbolismos para transformá-los em “desculpa” para comprar, passando a ser esse o verdadeiro significado da festa.

Já dizia um religioso, a nossa história é o cerne onde está constituída a nossa identidade e abrir mão dela, é ignorar quem somos e o que queremos celebrar.

Quero uma nova vida ou um ovo da Nestlé na Páscoa?

Esqueceram de televisionar o nosso Big Brother

big-brotherTodos os dias, vivemos diversas etapas de um Big Brother muito mais real do que aquele que assistimos na TV, mas nosso envolvimento com a realidade é bem diferente.

Fofocas no trabalho, gente querendo passar por cima do outro, o chefe arrogante, o funcionário preguiçoso ou outro que se aproveita da boa vontade de quem se oferece para ajudar. O primo drogado, a domestica faladeira, a mãe que ta sempre reclamando e o pai desempregado que liga toda hora para saber dos filhos. A irmã calada e o irmão egoísta. Em todo esse “jogo” de relacionamentos existem também aqueles que preferem serem eles mesmos, sem esconder um defeito ou mesmo sem deixar de se envolver com seus iguais.

Tantas pessoas são eliminadas de nossas vidas devido aos diferentes caminhos escolhidos, colegas de classe, universidade, trabalho. Acabamos também tendo de escolher algumas pessoas para entrarmos em profundidade e construir uma verdadeira amizade.

Vivemos provas individuais para conquistar nosso “ganha pão”, outras em equipe e tanto as alegrias ou frustrações são compartilhadas, comemoradas ou sofridas em grupo.

Interessante pensar o quanto a nossa vida não desperta a mesma curiosidade do programa televisivo. A vida do outro parece sempre mais interessante que a nossa e também poucas vezes nos damos conta do MILHÃO de experiências que podemos fazer e a fortuna de relacionamento que é possível construir.

A televisão edifica modelos de pessoa que nem sempre refletem a beleza do ser humano, com suas contradições, credos e concepções de verdade. O Big Brother só é capaz de mostrar o quanto o ser humano é articulado para manipular seus iguais, sem medo de usá-los em prol de um objetivo claro.

Gostaria de ver um programa sem prêmios, sem estímulos financeiros, simplesmente para que as pessoas fossem elas mesmas e mostrassem o quanto são capazes de viver em comunidade.

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