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Frio do Natal

O frio do Natal – reflexões em uma data reflexiva

frio do Natal

Natal. Tornou-se um privilégio festejá-lo em terras brasileiras, com meus pais, irmãs e amigos. Voltar para o meu país nesse período é uma oportunidade de reviver a beleza dos laços de amizade, em uma sociedade onde os relacionamentos ainda têm um papel central na vida das pessoas.

Esse período festivo também me faz pensar na opinião de muitos europeus, de que o clima de Natal é mais “forte” quando faz frio. “Natal no calor? Que estranho!”, ouvi muitos questionarem com curiosidade.

Vivendo no Velho Continente, depois da breve passagem pelo continente africano, eu pude perceber que em sociedades, como a europeia, em que os relacionamentos interpessoais parecem ter menos importância, o frio é praticamente um instrumento “divino” de unidade. É no inverno que as famílias passam mais tempos recolhidas, juntas no calor do lar, muitas vezes ignorado pelas inúmeras atividades durante o ano.

É verdade, no frio o esforço de estar juntos parece menor, aumentando o valor dado ao calor (exterior e interior) dos lares com seus aquecedores.

A chegada do Salvador?

Natal também me leva a pensar no tal Salvador. Sim, Jesus Cristo. Não quero me deter na veracidade histórica do personagem, mas na justificativa religiosa da sua vinda à esse mundo.

frio do Natal Cresci ouvindo que o Natal é a festa do Salvador. Mas Salvador de quem? O que é que eu fiz de tão grave para precisar de salvação? Bom, vida e estudo me fizeram entender que, na verdade, Jesus não veio ao mundo com objetivo de salvar ninguém, mas para deixar uma mensagem que, pela sua potência, pode ser considerada libertadora, salvadora. Logo, acabamos simplificando dizendo que o aniversariante do dia 25 é mesmo o Salvador. Coisa nossa!

Natal para mim é…

Pessoalmente, gosto muito do Natal, mas entendi que a Páscoa é uma festa mais relevante. É nela que a mensagem “salvadora” do aniversariante de hoje se manifesta de maneira definitiva. Depois de uma vida exemplar, Jesus não precisava morrer. A sua morte não estava programada, mas ao dar, literalmente, a própria vida, Ele redimensionou o significado do que é amar (e assim, nos salvou de uma existência vazia).

frio do Natal Frio e sacrifício, ao meu ver, têm essa força potente de coesão. Já dizia Manuel Antônio de Almeida em Memórias de um sargento de milícias “Não há nada que mais sirva para fazer nascer e firmar a amizade, e mesmo a intimidade, do que seja o riso e as lágrimas: aqueles que se riram, e principalmente aqueles que uma vez choraram juntos, têm muita facilidade de fazerem-se amigos”.

Dessa forma, o Natal (com ou sem frio) acaba sendo um interessante instrumento para nos aproximarmos uns dos outros e expandir nossa existência a uma dimensão comunitária.

Redescobrir o valor de partilhar e de viver a vida juntos. Para mim, essa é a grande mensagem do Natal.

Que esse momento simbólico seja a oportunidade de entender um pouco mais do valor da família. A maior lição de amor começa com o nascimento de um bebê que, com a sua vida, feita de alegria e sacrifícios, testemunha o que é viver plenamente.

Feliz Natal a todos!

Reis à procura do Rei

Reis

Ao amanhecer do primo dia de dezembro, depois de semanas de preparativos, Melquior, rei dos Persas, partiu em direção da estrela-guia levando ouro, sua oferenda destinada ao Rei dos reis. Depois de uma longa jornada, encontrou seu irmão Gaspar, Rei das Índias, que trouxera consigo incenso, oferenda digna de divindade , para presentear o recém nascido. Não muito longe dali, Baltazar viera a se juntar com os outros reis magos, trazendo a mirra.

Após algumas semanas de caminhada chegaram a Belém, na Judeia, local aonde as Escrituras haviam mencionado que nasceria o Rei dos reis. Caminharam pelas ruas da cidadezinha até, finalmente, avistarem um pequeno estábulo, escuro e frio, sob a estrela-guia. Seus corações pareciam querer explodir de ansiedade. Aproximaram-se lentamente, até que foram surpreendidos por uma voz forte e levemente rouca:

_ Hou! Hou! Hou! Feliz Natal! Entrem! Entrem!

Confusos eles não entendiam a presença do autor da saudação. Todos esperavam o choro de um bebê, mas, em vez disso, estavam diante de um velho barbudo, acima do peso, segurando uma garrafa cheia do que parecia ser uma bebida gasosa escura.

Após os minutos iniciais de acanhamento e dúvida os reis, em um consenso gestual, ajoelharam-se e tiraram de suas bolsas o ouro, o incenso e a mirra, oferecendo-os para o velho barbudo, como sinal de respeito e admiração, enquanto ele assistia à cena com olhar de surpresa. Quando os três reis magos concluíram à oferenda solene, o velho disse a eles:

_ Meus filhos, eu não preciso de nada disso! Com o dinheiro da publicidade pela venda dos produtos atrelados à minha imagem, eu posso comprar o mundo inteiro.

Espantados com o que acabaram de ouvir, os reis magos não sabiam o que fazer. As oferendas simbolizavam a ação de graças por Àquele que deveria nascer, mas a presença daquele velho em Seu lugar era um claro sinal de mudança nos desígnios traçados para a humanidade.

Porém, quando os três irmãos conseguiram se acalmar, perceberam um respirar abafado coberto pelas sombras que o velho barbudo produzia. Aproximaram-se e viram que, na penumbra, estava uma jovem e seu marido, segurando uma criança no colo. Seus olhos se encheram de lágrimas, pois eles haviam finalmente encontrado Àquele que estavam procurando.

O Salvador, mesmo escondido, marginalizado, estava lá, nos braços de sua mãe. A alegria da descoberta contagiou os reis magos e o fez entenderem que para encontrar o menino-Deus é preciso, muitas vezes ir além da sombra do Papai Noel e seus presentes.

Seu Natal e o sentido da vida

familia

Seu Natal tinha vivido muitos anos. Tantos que já nem se recordava qual a sua verdadeira idade.

Nascido em uma pequena vila, distante de tudo, bem pobre, Natal quase nunca havia escutado na televisão alguma notícia que falasse do lugar de onde ele vinha.

Filho de família nobre, de tradições milenares, seu Natal, com o passar dos anos, perdeu o prestígio decorrente das suas origens familiares. Aos poucos, até mesmo na sua cidadezinha já não sabiam quem ele era.

Diante dessas e outras tantas situações difíceis da vida, o seu Natal, mesmo assim, sobreviveu. A sua presença no mundo era insistente, perseverante, mas, com o passar do tempo, aos poucos ele começou a mostrar sinais de cansaço. Passava sempre despercebido e, por isso, não conseguia mais se sentir feliz, nem fazer feliz.

Porém, um encontro particular transformou a vida daquele senhor.

Há tempos seu Natal não encontrava o menino pobre que vivia vagueando pela cidade, pedindo esmola e, como ele, lutando para sobreviver.

Em uma noite chuvosa de dezembro os dois se reencontraram e seu Natal chamou o menino para jantar em sua casa.

Foi um momento simples. Conversaram, riram e choraram juntos e aquele momento ajudou o senhor a redescobrir quem ele era. Fez com que seu Natal reencontrasse os motivos para continuar vivendo, lutando, para mostrar que o presente mais valioso que a vida nos dá, sem dúvida, é a possibilidade de construir relacionamentos verdadeiros.

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