Tag: Brasil (Page 1 of 8)

Copa fora do Brasil: Celebrando o futebol

Fale o que quiser, mas eu sou sim um entusiasta da Copa do mundo! Para falar a verdade, me entristece o discurso que tenta politizar o futebol de maneira reducionista, sem uma profunda reflexão sobre o potencial transformador que existe intrinsecamente nessa “plataforma”.

Para mim, futebol e política não se misturam. Jogadores, dirigentes até podem usar de suas posições no esporte para emitir declarações políticas, para serem embaixadores de uma causa – e respeito quem decide por essa postura. Contudo, o esporte tem um papel social que transcende tudo isso.

Desde pequeno, o futebol tem me proporcionado experiências e aprendizados que carrego sempre comigo. Muitas vezes ainda me vejo lendo os fatos e as dinâmicas da vida como se estivesse dentro da quadra de futsal ou dos gramados onde joguei. E não estou me limitando ao entendimento do espírito de equipe. O futebol também me ajudou a entender a importância de ser – quando necessário – o protagonista, de respeitar o adversário, acolher e aprender com a derrota, partilhar o sucesso e o fracasso, e tantas outras coisas. Como aconteceu comigo, no simples jogar, muitos jovens aprendem a partilhar, colaborar, respeitar, vencer e perder.

Não tenho dúvidas de que o futebol precisa permanecer primordialmente uma plataforma de educação, além de um instrumento de coesão social, de encontro. Hoje, quando penso no esporte, tenho em mente a seleção islandesa. É impressionante a energia positiva que ela tem gerado nos últimos dois anos. Sem tradição, o time foi buscar na identidade do seu povo o motor e a sinergia necessária para vencer as partidas. Dessa forma, time e torcida passaram a ser uma coisa só, ensinando e encantando o planeta, além de conquistar resultados históricos e, acima de tudo, nos ajudar a conhecer um pouco mais da cultura viking islandesa.

Que o futebol seja plataforma de aprendizado e de encontro! É isso o que eu desejo para essa Copa do Mundo. Em um planeta cada vez mais repleto de muros e barreiras, o futebol pode ser uma verdadeira ponte entre povos.

Voto: direito fundamental ou habilitação?

voto
Ontem, durante o jantar, tive uma ideia um tanto quanto original a respeito de como podemos tentar recuperar o valor do voto como verdadeiro instrumento de participação política: em vez de considerá-lo um direito fundamental, porque não transformá-lo em “habilitação”, igual à que precisamos tirar para poder dirigir.

Em linhas gerais funcionaria assim. Com 16 anos, um jovem estaria apto a se inscrever , gratuitamente, para adquirir a sua habilitação de eleitor. A partir de então, ele seria obrigado a fazer um “CFC da política”, um curso de uma semana que explicaria os princípios que regem uma democracia; o funcionamento dos partidos políticos; as leis; o parlamento e quais são os instrumentos de participação. Após o curso, o candidato deveria se inscrever para a “Prova Teórica” onde seu conhecimento básico a respeito do que foi ensinado previamente seria avaliado.

Caso aprovado, o futuro eleitor receberia uma “habilitação provisória”, obrigando-o a participar das duas eleições seguintes (depois o voto não seria mais obrigatório). Nessas duas primeiras experiências, o eleitor deveria participar de grupos de debate e aprofundamento, para entender mais a respeito das questões ligadas à atualidade política do país. Após esse período provisório, o jovem finalmente receberia a habilitação definitiva.

Em caso de uso indevido dos direitos políticos, como crimes ligado à corrupção, que deveriam ser estipulados pela Justiça, ele poderia ter a habilitação suspensa ou em casos graves, retirada. Após os 70 anos, o eleitor também passaria a ter seus direitos de eleitor limitados à esfera local ou regional, para que não aconteça casos como o do Brexit, em que uma grande parte da população idosa acabou determinando o futuro – indesejado – da juventude da Grã-Bretanha.

Tenho dúvidas se tudo isso faz sentido. Você acha que seria uma boa ideia? Daria certo no Brasil?

Rir para não chorar: refletindo a crise brasileira

rir

Graças as maravilhas tecnológicas desse mundo globalizado eu, do outro lado do Atlântico, pude acompanhar a sessão na Câmara dos Deputados que sacramentou o primeiro – e importante – passo para o impeachment da senhora presidenta Dilma.

Não vou entrar muito em detalhes e nem quero discutir a metodologia extremamente questionável adotada pela Oposição, mas nesse momento turbulento, considero necessário que a Dilma e o partido que a sustenta sejam afastados do governo Federal. No entanto, a maneira ridícula e vergonhosa como a votação em prol do impeachment se desenvolveu no último domingo me fez rir. Rir para não chorar.

Rir porque, em nome de Deus, da família, do cachorro, do neto, do ditador, dos médicos, agricultores e etc, os nossos parlamentares perderam uma excelente oportunidade de explicar o porquê acreditam que a presidenta deve ser investigada; porque o impeachment não é golpe, pelo fato de estar previsto na Constituição, e de que forma o afastamento dela é, para eles, um avanço no que eles chamam de democracia. Eu juro que estava curioso e esperançoso para ouvir alguém com uma boa explicação, que clareasse esse momento sombrio em que o Brasil se encontra.

Ri também porque, na verdade, o problema maior está «no dia depois». Em quais mãos o meu amado país vai estar com a saída da Dilma? Do Temer? Do Cunha? Do Aécio? Do Maluf? Do Tiririca? Do Bolsonaro? As coisas podem sim piorar, por outro lado, isso não pode servir de desculpa para acharmos que do jeito que está, está ótimo.

Eu quero que a situação do país melhore. Ponto. Por mais que reconheça e, de certa forma, admire a coragem e o pioneirismo do olhar social promovido pelo velho PT, acho que uma mudança agora é fundamental para o bem do país. Não dá para garantir que quem vai vir será muito melhor do que quem está. Em certos aspectos sim, outros não. Mas a mudança sempre traz esses dois lados: o positivo e o negativo (Eu seria muita prepotente em achar que só um lado é capaz de ter bons projetos para o desenvolvimento do país).

Infelizmente, hoje, o argumento da idoneidade moral dos políticos brasileiros está fora da discussão. Se, ao mesmo tempo, tento acreditar que nem todo político é ladrão, por outro lado tenho a impressão de que grande parte dos corruptos estão, neste momento, se digladiando pelo poder em nossos governos. Por isso, creio que o foco agora é saber quem é capaz de administrar melhor o país na atual crise. Quem está disposto a encontrar formas de trabalhar com/para todos, ricos e pobres, maiorias e minorias, religiosos ou ateus. Sei que não é o Temer, ou o Cunha, o Aécio e os que são réus da Lava Jato. Sei que também não é a Dilma, pois ela teve a chance dela e, aparentemente, falhou feio.

Uma das grandes descobertas que tenho feito, vivendo em uma outra cultura, com uma democracia menos complexa e mais consolidada, é a importância do ambiente pluripartidário. Um governo que dá espaço para diferentes vozes é enriquecido pelas diferentes ideias, estratégias, mas, sobretudo, é obrigado a trabalhar constantemente pela busca do consenso, visando o bem de todos. É esse o meu maior desejo para o Brasil. Um país onde seus governantes busquem o melhor para todos, respeitando as diferentes ideias e estratégias. Acreditar nisso parece bem distante depois do show bizarro promovido pelos nossos deputados. Mas, tudo é caminho e precisamos ter coragem de, juntos, percorrê-lo.

Page 1 of 8

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén