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O jovem e Deus

Deus é Jovem

Quais são as características que nunca devem faltar em um jovem? “Entusiasmo e alegria. E a partir disso se pode começar a falar de outra característica que não deve faltar: o senso de humor. Para poder respirar, é fundamental o senso de humor, que está ligado à capacidade de se alegrar, de se entusiasmar”.

Essa é uma das passagens conclusivas do livro-entrevista « Deus é Jovem », assinado pelo Papa Francisco. No diálogo com Thomas Leoncini, Francisco dirige-se não apenas aos jovens do mundo inteiro, dentro e fora da Igreja, como também a todos os adultos que por esta ou aquela razão são detentores de um papel educativo e de orientação no seio da família, nas paróquias e nas dioceses, na escola, no mundo do emprego, no associativismo e nas mais diversas instituições.

A esperança deve passar necessariamente pela fé em Deus? “Não necessariamente (…) Basta que exista uma pessoa boa para existir esperança (…) Os muros são colocados por terra com o diálogo e o amor. Se você está falando com alguém, fala de cima do muro. Então você falará mais alto, e aquele que está do outro lado do muro vai ouvir melhor e poderá lhe responder. Se você faz o bem, não tenha medo de gritar”.

Difícil não se encantar com as muitas passagens inspiradoras desse diálogo que revelam um pouco mais desse homem tão admirado. A simplicidade do discurso, as escolhas intelectuais, mas acima de tudo a humanização da Fé, faz de Francisco mensageiro de um cristianismo realmente universal. Sem fugir das perguntas, dos exemplos pessoais e de uma análise realista da sociedade em que vivemos, o Papa acredita que esperança no futuro está no encontro entre jovens e velhos. Na relação entre o entusiasmo original e liberdade adquirida pelas experiências vividas.

Carta aberta aos jovens participantes do Genfest 2018

Queridos jovens,

Muitos de vocês já devem estar a caminho ou até já chegaram nas Filipinas para mais um Genfest. Essa grande festa dos jovens do Movimentos dos Focolares é historicamente um dos momentos mais celebrados e globalmente vividos pelos membros da Obra de Maria. Ainda mais este Genfest, o primeiro fora do continente europeu.

Eu, como vocês, me considero membro da “Geração Nova” mesmo se o tempo e as experiências que vivi (e os cabelos brancos acumulados no processo), já não me permitam dizer que sou tão jovem.

Entretanto, eu também tive o privilégio de viver essa experiência de doação permanente que vocês são convidados. Pude me maravilhar com as alegrias que as escolhas relacionadas à pureza, ao desapego, à abertura e principalmente à radicalidade nos faz sentir. Tive crises de fé, decepções com Focolarinos (lembrem-se de que eles são seres humanos), sofri com a rigidez da estrutura da Obra e não poucas vezes me perguntei se a o Movimento era mesmo o meu lugar.

O mais interessante é que tudo isso, sentimentos bons e ruins, e até mesmos os relacionamentos, passaram ao longo do tempo. A única coisa que ficou e que está viva em mim até hoje é a certeza de que não posso me contentar com migalhas, porque tenho uma vida só e que por consequência, preciso vivê-la bem.

Nos próximos dias vocês experimentarão na própria pele a certeza de que um mundo unido é possível. Encontrarão gente de todas as partes do planeta, farão novos amigos e perceberão que tem muita gente que acredita nessa “loucura da unidade” e que vive intensamente para concretizá-la no dia-a-dia. O risco, porém, é vocês não conseguirem construir uma ponte entre o que vão viver e o contexto onde vocês estão inseridos. O entusiasmo dessa experiência talvez faça com que não queiram voltar para o difícil mundo onde a unidade, a paz e as pontes ainda precisam de vocês para construí-las.

Vivam intensamente cada segundo dessa experiência para que fique uma marca em suas almas. Lá na frente, talvez vocês vão perceber que esses momentos de grande entusiamo nos ajudam a continuar fazendo as escolhas, as renúncias e os sacrifícios certos.

Com vocês, revivo as minhas esperanças de que juntos podemos escrever uma nova história e honrar o convite à unidade que herdamos de Chiara Lubich. Boa Festa

A alegria de estar insatisfeito

insatisfeitos

Há muito tempo tenho procurado reencontrar meu lugar dentro das estruturas religiosas que sempre tiveram um espaço importante na minha vida. A angústia pela falta de respostas foi criando um crescente sentimento de frustração interior. Insatisfeito era certamente a melhor palavra para exprimir como me sentia. Na verdade, acredito que sou um insatisfeito crônico –, mas quando me deparei com “Espiritualidade para insatisfeitos”, do teólogo cristão José Maria Castillo, entendi que isso não é necessariamente algo ruim.

O livro de Castillo é uma interessante reflexão sobre a espiritualidade como movimento interior e exterior. É um livro que, acima de tudo, propõe uma espiritualidade baseada na ação, pois como o autor mesmo afirma, “aquele surpreendente judeu que foi Jesus de Nazaré, antes de ser um mestre de espiritualidade, foi um mestre de vida, um mestre para a vida”.

Entres muitas coisas, o autor ressalta a importância da busca pela felicidade que não se limita a realização das necessidades individuais. Ele convida a viver a “Utopia do reino”, que nada mais é do que a crítica ao mundo e os valores de hoje e, ao mesmo tempo, o caminho para a construção de uma sociedade “onde os seres humanos, todos os seres humanos, encontram um sentido para suas vidas, paz, dignidade, felicidade e esperança”.

Com o livro, pude redescobrir que o meu papel como cristão é o de corajosamente renunciar a ser o centro e testemunhar a Utopia do reino. Isto é, viver conscientemente uma vida “disponível para dar vida, defender a vida e a dignidade da vida que temos de conviver. E, por isso, uma vida que comunica felicidade, paz, calma, alegria e esperança”.

Sim, é fundamental encontrar o próprio espaço de atuação, um ambiente propício para o crescimento interior e que também seja combustível para a ação social. Porém, o mais importante é entender que o centro da espiritualidade cristã é a vida.

« Espiritualidade para insatisfeitos » foi um presente nessa etapa cheia de mudanças pessoais. O livro, além de me libertar de muitas amarras interiores, ajudou a “calibrar a direção” para continuar seguindo o caminho que escolhi percorrer na minha jornada nesse mundo.

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