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Deus 2.0

Há tempos não tinha a oportunidade de refletir conscientemente e “em voz alta” sobre a minha visão de Deus e a sua aplicação nas minhas crenças e práticas religiosas.

A escolha de qual Deus adorar é uma herança familiar e, independentemente de como levei ela a diante, ela deu forma aos valores fundamentais que carrego comigo até hoje.

Um momento chave da minha adesão pessoal ao Deus cristão, católico, foi a minha Crisma. Durante aquele período de “formação religiosa” dificultei muito a vida dos meus formadores, questionando dogmas e práticas, ao meu ver, ultrapassadas e deturpadas. Já ali não aceitava a visão de um Deus distante, estático, que pune pecadores, seleciona os bons e os separa dos maus, que exige práticas de louvor e que ignora as mazelas da humanidade.

A partir da minha adolescência comecei a amadurecer uma visão de um Deus «acompanhante», que está ao meu lado e não “fora”, da mesma forma que se manifesta dentro de mim. Ele é a minha inclinação para o bem, o meu bom senso e, sobretudo, o Amor que carrego.

Recentemente tenho procurado reconceituar Deus e a sua relação com a Felicidade. Talvez a paternidade tenha um papel fundamental nessa tentativa de aprofundar meus credos para vivê-los melhor e explicar para minha filha o porquê das minhas escolhas.

Acho que o “meu” Deus está muito mais na busca da Felicidade do que em qualquer outra coisa. Toda a Sua manifestação direcionada ao bem que mencionei acima não é estática, é processo, relação, que depende de “um outro” para existir e por isso é tão difícil de «agarrar» e rotular.

Deus é dimensão relacional da natureza direcionada ao bem. E a Felicidade está na busca interior, na nossa essência, dos atributos e da disposição (as vezes custosa) do encontro com o outro (não necessariamente humano), profundamente diferente de nós. É nesse encontro entre diferentes, dispostos e abertos uns aos outros, que podemos experimentar a potência construtiva de Deus e é ali que habita a tal Felicidade.

verdade

A mídia é mentirosa? Jornalismo e a busca da verdade

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Está lá no meu curriculum. É só entrar no Linkedin e conferir: “Jornalista profissional com mais de 8 anos de experiência”. Bom, mas o que isso significa? Esse tempo serve como atestado absoluto de credibilidade?

Não sei se já disse publicamente, mas escolhi estudar jornalismo por considerar a partilha um dos pilares da existência humana. No meu entendimento, partilhar é uma forma de comunicação interpessoal. Ela exige, indiscutivelmente, o envolvimento de dois ou mais sujeitos. O jornalismo, impulsionado pela ideia de uma comunicação “de massa”, nada mais é que uma partilha “em larga escala”. Com ele, comunicar torna-se o árduo ofício de identificar, na cotidianidade dos fatos, aspectos que nos ligam e nos fazem, em qualquer parte do planeta, iguais, “irmãos”.

Bonita essa explicação, não? Eu acho. Mais do que isso, eu acredito nesse “ideal”. Abstendo-se de promover esse encontro “ontológico”, o jornalismo não passa de um alto falante dos poderosos, que usam a mídia para promover interesses particulares.

A mídia: verdade ou mentira?

verdadeSempre me informei por meio da mídia em geral. Ultimamente tenho confiado um pouco mais em estudos de organizações internacionais, mas, no fundo, ninguém me garante que elas são 100% imparciais.

Então, para conhecer a verdade, é preciso observar os fatos com próprios olhos? Sim e não. Claro que a possibilidade de observar um fato “in loco” é uma riqueza e tanto, porém, duas pessoas que testemunham um mesmo fato podem tirar conclusões completamente antagônicas. Eu minha esposa experimentamos isso na nossa recente passagem pelo continente africano.

Mas, afinal de contas, é possível defender uma verdade “jornalística”? Existem informações absolutamente confiáveis? Difícil responder.

Acho que tudo passa pela identificação de padrões nas informações divulgadas. A imparcialidade defendida pelo jornalismo é um instrumento importante, pois tem como premissa o fato e não a sua interpretação. Porém, toda informação precisa nos levar a algum lugar. Os fatos precisam ser enriquecidos por outras informações e opiniões equilibradas que respeitem a complexidade dos mesmos.

Atenção ao equilíbrio!

Equilíbrio. Essa é a sensação que procuro experimentar ao “consumir” uma informação. Mesmo consciente de que o jornalismo, para simplificar, insiste no jogo maniqueísta.

Gosto de pensar na Verdade como um quebra-cabeças. Para chegar à ela é preciso considerar todas as vozes. Cada “peça” é fundamental para um resultado satisfatório. Contudo, para montá-lo são fundamentais a paciência, a atenção e o discernimento crítico das informações/peças que se tem em mãos. O resultado final, as sínteses, precisam, entretanto, serem universais.

Giuseppe Zanghì

Ao mestre Giuseppe Zanghì

Giuseppe Zanghì Giuseppe Zanghì

Encontrar Giuseppe Zanghì não foi uma experiência trivial. O homem cuja especialidade era transformar inspirações em teorias tinha mesmo uma luz diferente.

Sua presença expansiva transparecia, para mim, uma certa “impaciência”, perceptível em todos aqueles que vivem aqui, mas com a alma “là na frente”.

Uma lembrança de Giuseppe Zanghì

Uma vez, logo depois de uma conferência feita para os adolescentes dos Focolares em 2005, tive o privilégio de presenciar o encontro dele com dois  expectadores que, curiosos, queriam uma resposta as suas angústias em relação à vida.

“Entendo o que você esta querendo me perguntar, mas acho que é preciso que aprendamos a ir no mais profundo da nossa existência. Sabe aquele lugar, lá dentro de nós? Então, mais profundo ainda. Só assim podemos descobrir aonde estar a verdadeira felicidade”.

Não sei se essas foram as palavras literais de Zanghì, mas a tal “sede de profundidade” acabou me contagiando e acompanhando por muito tempo, até finalmente me levar ao Instituto Universitario Sophia. Lá, diante daquele audacioso projeto de “vida e estudo”, pude colher alguns dos incomensuráveis frutos da vida e das sínteses intelectuais desse grande mestre.

Giuseppe ZanghìCom 85 anos, Peppuccio – como era conhecido entre as pessoas do Focolares – se foi, deixando um patrimônio de leituras que aproximam “Céu” e “Terra”. Em mim, a gostosa lembrança de um “fratello” cheio de uma “santa” teimosia, alegria, além do sorriso de um verdadeiro “menino de Deus”.

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