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29 dias no país do Tsunami – Parte 38

Com os jovens dos Focolares em Singapura

Deixamos o país do Tsunami às 10 horas da manha. Realmente não foi fácil ir embora daquele que tinha se tornado o Nosso País (provavelmente foi o único local, além do Brasil que sofri por ter de deixar).

Foi realmente uma experiência inesquecível. O povo indonésio é maravilhoso, sorridente, mesmo em condições precárias de vida.

Os relacionamentos construídos com os e as jovens do Movimento dos Focolares, as focolarinas. Cada momento ficará dentro de mim para sempre.

No aeroporto de Singapura os nossos amigos Biliang e Francis já nos esperavam para levar-nos ao focolare. Chegando lá comemos algo e eu, com Agostino e Ako, assisti “Cidade de Deus”.

Logo depois chegaram Max e David com a sua namorada – dois jovens do Movimento dos Focolares que eu havia conhecido em Montet, na Suíça. Fiquei muito feliz de revê-los.

À noite a comunidade local nos preparou uma festa e aproveitamos para contar algo da nossa experiência além de agradecer à todos.

Conversei um pouco com David e a sua namorada, seus pais, conheci uma focolarinas alemã e as 23h, quando a festa tinha praticamente acabado, decidimos sair para tomar uma cerveja juntos no centro. Depois de duas horas voltamos e fomos dormir. Felizes.

29 dias no país do Tsunami – Parte 37

País do Tsunami. As 7hs estávamos de pé porque em meia hora chegariam as focolarinas para nos buscar para aquela que seria a viagem mais cansativa até então: 15 horas de estradas sinuosas e esburacadas de Aceh até a capital Medan.

Estávamos apertadíssimos no carro, porém eu e o napolitano Leonardo pudemos ao menos conversar um pouco sobre aquilo que havíamos vivido durante a nossa estadia na região mais afetada pelo Tsunami.

Porém, não foram somente as boas recordações que eu levarei dessa última viagem em solo indonésio.

Na metade do caminho decidimos parar em um pequeno restaurante de beira de estrada para almoçar.

Assim que me sentei percebi que a natureza estava me chamando para realizar umas das atividades fisiológicas mais importantes: o vulgo “número 2”.

Naquele momento me dei conta que as diferenças culturais diminuíram bastante, pois mesmo do outro lado do mundo os banheiros de restaurantes de “beira de estrada” são bem sujos. Porém ali haviam alguns acréscimos notáveis, que a pressa (e o estômago) me fizeram esquecer.

A primeira “diferença” era a ausência de vaso sanitário. Tive que tirar as calças e pendurá-las em algum lugar limpo para fazer minhas necessidades. Olhando para o chão imundo decidi não pisar descalços. Apoiei os pés no meu tênis e pronto, agora sim poderia realizar a minha importante missão.

Depois de alguns minutos satisfatórios, lembrei-me da segunda diferença: Na Indonésia não se usa papel higiênico. Dentro do tanque ao lado do buraco para as fezes, um balde mergulhado em uma água imunda, que eu deveria usar para me limpar.

Estava no final da viagem e alguns pudores “ocidentais” já não serviam. Peguei um pouco de água e me limpei, ajudado pela mão esquerda e tentando não fazer com que a água escorresse pelas minhas pernas, pois não tinha uma toalha para me secar.

Missão realizada e novamente outra ficha caiu: Como voltaria para a mesa, almoçar, com a mão fedida?

Olhei ao meu redor e não encontrei nenhum sabonete ou algo que pudesse limpar as mãos. Após alguns minutos desesperado encontrei um xampu que simbolizou a salvação.

Lavei as mãos e voltei à mesa mais leve (em todos os sentidos) e pronto para almoçar. Aventura inesquecível.

Chegando depois de muito tempo em Medan fui saudar Luce, focolarina brasileira que vivia na capital da ilha de Sumatra.

Amanhã vamos embora da Indonésia e já sinto uma dor grande de deixar esse país que se tornou pátria.

29 dias no país do Tsunami – Parte 36: Em Banda Aceh

Acordar cedo faz parte da rotina, mas hoje realmente acordamos MUITO CEDO para participar de uma cerimônia em uma pequena vila destruída pelo Tsunami, onde a AMU (Azione Mondo Unito) – Ong que nos trouxe à Indonésia para trabalhar -, ajudou a construir barcos para pesca.

Ali, depois da celebração, comemos arros doce e cocada no café da manhã e logo em seguida uma parte do grupo voltou pra Medan, capital da grande ilha de Sumatra, enquanto eu e o Leonardo ficamos com o Nicolas, Jean Paul, Lambok e um outro indonésio, além de Evy, uma jovem muçulmana de Banda Aceh. Junto deles fomos visitar outras vilas onde eles haviam prometido, quando fosse possível, prover algum tipo de ajuda.

Durante a viagem pude ver lugares realmente destruídos. É muito difícil descrever aquilo que o Tsunami fez… o mar engoliu as praias, dividiu montanhas… Inesquecível.

Almoçamos no caminho e como sobremesa comemos uma “jack fruit” (Jaca) fedida mas muito boa.

Passeamos mais um pouco, fomos à missa e a noite com Evy fomos jantar. Comida deliciosa e depois outra experiência nova: café com um moído de marijuana… estranho e delicioso.

Fiquei feliz de poder conhecer melhor Evy. Uma jovem simpática, divertida… Interessante que, mesmo sendo uma dezena de anos mais velha, não colou obstáculos para que pudéssemos construir um bom relacionamento com ela.

Forte a sua experiência pessoal quando o Tsunami arrasou com a sua cidade, destruiu a universidade e matou grande parte dos seus amigos.

Evy nos contou que passou semanas jogando pessoas mortas no riacho, pois o governo se viu impossibilitado em reconhecer todos os corpos. O cheiro “azedo” de cadáver que ainda se sentia 6 meses depois do Tsunami, me fez imaginar como seria a situação nos dias posteriores às ondas gigantes.

_ Como vocês conseguiam comer com esse fedor insuportável de cadáver? – perguntei inocentemente à minha amiga muçulmana.

_ Não sei explicar. Nesses momentos vivemos quase de maneira inconsciente. Eu só pensava que já haviam muitas pessoas mortas e se eu não comesse algo, me juntaria a elas, o que não ajudaria muito. – respondeu-me com uma simplicidade assustadora, decretando logo em seguida o fim da janta.

Voltando para casa depois desse dia maravilhoso fui dormir imediatamente, procurando me preparar físico-psicologicamente para a longa viagem que faremos amanhã.

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