No Facebook

Tenho acompanhado pouco o mundo online neste final de ano. Saí de São Paulo e vim para o interior do estado visitar a família. Por aqui, o sinal de internet móvel é escarço e poucas pessoas têm banda larga em casa. Porém, o que vi, nas poucas vezes que consegui acessar o Facebook e o Instagram, foram fotos dos meus amigos mostrando os maravilhosos lugares que estão visitando ou suas lindas  famílias festejando com toquinhas vermelhas e pontinha branca.

Acho muito legal poder “participar à distância” destes momentos festivos, mas, admito que em alguns momentos me pergunto porque tanta gente publica esse tipo de coisa nas redes sociais.

Da fantasia à realidade

FacebookPercebo que existe uma dificuldade de definição pairando no ar. É difícil dizer quem somos e para onde vamos, quando temos tantas portas abertas, possibilidades e escolhas sobre o que fazer, gostar e para onde ir.

O que vejo nas redes sociais, em alguns casos, é a publicação “em massa”  de vidas que não aparentam verdadeiras, mas que são uma projeção do que as pessoas gostariam de ter ou ser.

No mundo real também acontece esse “fenômeno”. Por exemplo, muitos vestem uma roupa de marca ou compram um modelo de carro para mostrar aos outros quem são, criando a imagem desejada por meio dos bens materiais.

Facebook: Livro de rostos

As redes sociais têm um papel decisivo na promoção do mundo ilusório que pode vir a ser construído, como já falei em um texto aqui no Além do Bit.

A própria palavra Facebook – livro de rostos – é interessante, pois remete a ideia de um lugar repleto de imagens projetadas e construídas para dizer ao mundo quem somos, o que fazemos, de quem ou do que gostamos.

Para algumas pessoas, o Facebook serve para mostrar aos outros o “eu” idealizado que elas gostariam de ser. Uma ferramenta para “lembrar” constantemente ao mundo que elas existem.

Neste ambiente, muitos usuários sentem que só existem, a partir do momento em que recebem a atenção dos outros. Uma curtida, um compartilhamento ou um seguidor. Não é mais o penso, logo existo, mas o “estou no Facebook, logo existo”.

Vida fora das redes virtuais

FacebookConvivo com algumas pessoas que não têm perfil no Facebook por opção. Percebo que não é simplesmente a escolha de não estar em uma rede social. É algo mais profundo, que relativiza a necessidade de reconhecimento constante dos outros para elas definirem quem são.

Não quero dizer que todos que estão no Facebook têm essa necessidade. É apenas uma reflexão – que serve para mim também – com o objetivo de pensar se o que se publica nas redes são (ou não) tentativas de mostrar aos outros o mundo perfeito que gostaríamos de viver, mas que no fundo não existe.

Dando um sentido ao compartilhamento

Este ano, procurei me comunicar com as pessoas mais próximas, sobretudo aquelas com quem posso contar no dia a dia e estão sempre ao meu lado quando eu preciso. Certamente, posso dizer que são meus amigos de verdade e que, quando virem uma foto minha na beira da piscina, com um copo de cerveja na mão, ficarão felizes em ver  que estou descansando. Eles sabem que minha vida não é perfeita e que tive que lutar muito para usufruir desse momento. Eles acompanharam meus altos e baixos durante o ano, conquistas e perdas e, por isso, a foto tem um sentido. Para muitos dos outros amigos do Facebook, que eu não tenho um contato real, esta mesma foto pode ser vista como tentativa de causar inveja, por exemplo.

Acho oportuno lembrar que, há 2013 anos atrás, uma estrela também foi “seguida” e nos ensinou que para ser “de verdade” é preciso, antes de tudo, não ser. Talvez só ela seja capaz de preencher o vazio que nada mais consegue preencher, nem mesmo as mais de mil “pseudo-estrelas” que seguimos nas redes sociais. Vale a pena pesar nisso nessa passagem de ano.

Não se esqueçam de aproveitar seus momentos off-line!

Até a próxima sexta, já em 2014!.

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mariana Sistema de computador: porque não usá lo | Mariana Assis  Mariana Redondo de Assis – Formada em Sistemas de Informação pela Universidade São Judas Tadeu em 2005, concluiu em 2010 a pós graduação em Engenheira de Software pela Universidade de São Paulo (USP). Atua no mercado de TI há 11 anos, passando pelas áreas de suporte, desenvolvimento, projetos e pré-vendas. Atualmente é consultora de sistemas de gerenciamento de conteúdo na Thomson Reuters, responsável pelas plataformas de conteúdo para toda América Latina