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Se existe algo que eu tenho conhecimento de causa são os relacionamentos à distância. Todas as experiências que fiz antes de me casar tiveram essa particularidade cheia de benefícios, quando existe um propósito e maturidade suficientes para suportar, de maneira equilibrada, a ausência “do outro”.

Propósito, maturidade, equilíbrio. Três conceitos que definem bem quando esse tipo de relacionamento “vale a pena”.

Explico.

Talvez o aspecto mais importante para sobreviver a uma experiência afetiva à distância é a necessidade de um “propósito comum”. Sem um projeto claro, um “ponto de chegada”, os problemas de espaço/tempo se transformam em uma dificuldade sufocante e crescente. O principio é o seguinte: quando duas pessoas realmente se gostam o desejo de passarem mais tempo juntas, em teoria, aumenta progressivamente, até um ponto em que as despedidas se tornam insuportáveis. Haver um propósito em comum nos permite “auto justificar” os sacrifícios e entender que, quando se trata de felicidade, alguns sofrimentos fazem parte. Temporariamente.

Com um escopo assumido, juntos, o segundo passo é em relação à maturidade. Olhando para trás, eu poderia dizer que esse é o aspecto mais dramático de uma relação, pois tem protagonismo individual e ressonância coletiva. Isso quer dizer que, em relacionamento, não basta que só uma pessoa tenha maturidade. É preciso um “paralelismo de essências”, um caminho percorrido junto, para que o propósito assumido seja alcançado. Mas, amadurecemos em momentos diferentes e raras vezes conseguimos aceitar o fato de que “o outro” ainda não chegou aonde queremos. É preciso muita paciência, que vem, contudo, com o tempo. É isso: maturidade exige tempo – cronos e kairós.

Por último existe a questão do equilíbrio. Racionalmente pode-se viver até que bem as duas dimensões apresentadas acima, mas, todo ser humano “transcende” a sua razão. Sendo assim, saber lidar com os próprios sentimentos pode realmente ter papel determinante no futuro de uma relação. Aqui entram os esquemas psicológicos, as experiências familiares e outros aspectos “obscuros”, inconscientes, que ignoramos. Acho que esse equilíbrio exige a soma dos dois aspectos apresentados, mas também necessita de um “algo mais”, uma certeza Maior, que eu chamo de Fé e que “cobre” aquilo que muitas vezes não encontramos respostas imediatas, ou não entendemos. Encontrar o equilíbrio “sentimental” para viver uma relação a distância é a “ponta do iceberg” desse tipo de relacionamento “temporário”.

TEMPORÁRIO. É assim que defino um relacionamento em que os dois envolvidos estão na maior parte do tempo distantes geograficamente. Pois, o normal de uma relação, de uma vida em família, é constituído da presença material do outro. O “outro”: que tem hábitos culturais e familiares completamente diferentes, sonhos e desejos particulares, com quem precisamos “nos fundir” e renovar, constantemente, propósitos e equilíbrios, em um processo que só termina com a morte.

Quem não se prepara para “VIVER-COM” o outro, pode ter grandes surpresas com o casamento. E aí está a grande riqueza que um relacionamento a distância pode prover, pois a proximidade física sem propósito, maturidade e equilíbrio pode “dissolver” a beleza que existe na vida a dois. Aqueles que sobrevivem à temporalidade do relacionamento à distância acabam, se quiserem, amadurecendo e preservando a profundidade do propósito que os uniu anteriormente, de maneira equilibrada. De outra forma esse tipo de relação não se justifica. É uma baita perda de tempo.