Só mais um GENFEST?

Há um pouco mais de uma semana da décima edição do GENFEST, que prevê a participação de 12.500 jovens de mais de 100 países, parece necessário refletir sobre o significado deste evento, nas nossas vidas e no contexto social em que nos encontramos.

Em um mundo que clama por novos projetos e ideais capazes de sobreviver às crises financeira e de valores éticos, participar de um Genfest é com certeza a possibilidade de encontrar respostas coletivas e de vislumbrar “de corpo e alma” a grandeza de um Ideal aderido por milhares de jovens, de diferentes culturas, que acreditam que um mundo fraterno é possível.

Porém não basta festejar o mundo unido, é preciso construí-lo com as próprias vidas.

Genocídio na Síria, epidemia de Ebola na Etiópia, chacina do narcotráfico mexicano, desemprego de 50% dos jovens na Espanha, corrupção crônica no Brasil são alguns exemplos alarmantes de um cenário social que afeta a vida de milhares de jovens de diferentes contextos.

Mas o que eu tenho a ver com isso? Muito.

Gozar de um bem estar social e espiritual pode servir de desculpa para a passividade, o comodismo. Fazer do ideal do Mundo Unido instrumemto de conforto psicologico, alimento de um romantismo utópico, não ajuda a difundir, tranformar em cultura, uma alternativa tão fundamental às questões contemporâneas.

A tal “Gen Revolution” precisa virar uma realidade cada vez mais “encarnada” na vida dos jovens presentes em Budapeste. O encanto com o evento precisa servir de combustivel para uma escolha radical, vitalícia, VOCACIONAL de viver a vida e usar os próprios talentos não só para realizar a própria felicidade, mas lutar por uma felicidade compartilhada.

O privilegio de viver essa experiência maravilhosa é grande, menor, porém, que a responsabilidade de transformá-la em algo que não se desfaça depois dos três dias de FESTA.

É importante ressaltar que na edição anterior do Genfest, no ano 2000, os jovens presentes eram 25.000, o dobro do previsto para este ano, mostrando também o quanto a adesão a um Ideal tão exigente é cada vez mais desafiadora.

Este será o primeiro Genfest sem a presença física de Chiara Lubich o que parece evidenciar um “sinal dos tempos” onde a responsabilidade em construir um mundo mais unido está fundamentalmente nas mãos daqueles que acreditam.

Se cada participante do Genfest conseguir pensar no como, pessoalmente, poderia trabalhar para fazer do Mundo Unido uma pequena realidade local, as pequenas pontes de fraternidade serão (continuarão sendo) construídas e poderão, talvez, chegarem à uma dimensão cada vez mais universal.

“Não se acontentem com migalhas, vocês têm apenas uma vida, sonhem grande. Não se acontentem com as pequenas alegrias, busquem a plenitude da alegria.” (Chiara Lubich, GENFEST, 2000)

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4 Comments

  1. Parabéns!!!! Desta forma construimos juntos este grande Ideal.

  2. Daniel Buceli

    Ótima reflexão, Valter! Muito em que pensar, mais ainda a por em prática! o/

    Abração brow!

  3. Vinicius Rocha Neves

    Caro escritor,

    De logo, quero parabenizar pelo texto. Confesso que ele expressa, em absoluto, o imo de meu sentimento. Embora não o conheça, enobreço sua atitude: com a palavra escrita, fazer refletir. Peço licença para plagia-lo, divulgando seu blog entre meus amigos.
    Caso vá a Budapest, estarei lá, e seria motivo de satisfação encontra-lo!
    Abraços Fraternos,

    Vinicius Rocha Neves

  4. Ana Bersani

    Muito bom Valter! Uma reflexão mais profunda do que estamos acostumados a fazer sobre esses momentos de grandes encontros… Que não seja mais um! Bom Genfest pra todos vocês!

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